Análise do CEPAT
Conjuntura
da Semana. Uma leitura das ‘Notícias do Dia’ do IHU de 10 a 17 de novembro de
2009
A análise da conjuntura da semana é uma (re)leitura das ‘Notícias do Dia’ publicadas, diariamente, no sítio do IHU. A presente análise toma como referência as "Notícias" publicadas de 10 a 17 de novembro de 2009. A análise é elaborada, em fina sintonia com o IHU, pelos colegas do Centro de Pesquisa e Apoio aos Trabalhadores - CEPAT - com sede em Curitiba, PR, parceiro estratégico do Instituto Humanitas Unisinos - IHU.
Sumário:
Crise alimentar e
climática. Fracassos anunciados
Crise alimentar
A fome é obscena
Por que tantos passam fome?
Plantar o que, para quê e para quem?
A fome e o caso brasileiro
Crise ecológica
Copenhague ‘flopou’
Blecaute
O apagão e a matriz energética brasileira
Conjuntura da Semana em frases
Foto da semana
Eis a
análise.
Crise alimentar e climática
Dois dos mais graves problemas do planeta – a crise alimentar e a crise climática – não serão enfrentados pela
comunidade política internacional com a urgência que exigem. A semana começou
com notícias desalentadoras. Simultaneamente ao anúncio do fracasso da Cúpula Mundial contra a Fome, anunciou-se o fracasso da Conferência do Clima de Copenhague.
Esvaziada, sem metas nem líderes dos países ricos, a Cúpula Mundial contra a
Fome organizada nessa semana em Roma pela FAO é um rotundo fracasso.
Ainda mais, é uma triste manifestação de que o mundo deu as costas para o
problema da fome. Ao mesmo tempo a reunião da Cooperação Econômica
Ásia-Pacífico (Apec), em Cingapura, anunciou o que já se previa: a
Conferência de Copenhague, um dos eventos mais aguardados do ano, “flopou” –
palavra sonora para definir fiasco, como descreve o jornalista Cláudio Angelo.
A crise alimentar (1 bilhão de pessoas passam fome) e a crise climática (o planeta levado ao esgotamento) não
tiveram a mesma sorte da crise econômica. Na oportunidade, o desfecho à crise
financeira – que pode retornar a qualquer momento – encontrou por parte das
lideranças políticas mundiais uma resposta rápida, ágil e célere: abriram-se os
cofres dos Estados e o derrame de dinheiro público resgatou bancos e banqueiros
do atoleiro.
A negligência do mundo diante dos que passam fome e a passividade para com a
lenta agonia do planeta em que os recursos se encontram no limite do
suportável, deve-se ao fato de que os interesses econômicos, do mercado,
continuam subordinando a política – a capacidade de respostas aos problemas
coletivos. A economia faz tempo deixou de ser a “serva” da sociedade para se
tornar a sua “senhora”.
A fome no mundo e a crise ecológica não podem ser interpretadas desconectadas
da economia. É o “modo de produzir” e o “modo de consumir” da sociedade
capitalista que explicam as crises alimentar e ecológica. Associadas a essas
duas, poder-se-ia ainda acrescentar a crise energética e a crise do trabalho.
Essas crises manifestam algo mais grave, uma crise de modelo de desenvolvimento
de tipo civilizacional.
Crise
alimentar. A fome é obscena
Novamente fracassou – o mesmo se deu em 2008 – a Cúpula Mundial contra a Fome
ocorrida nessa semana em Roma. O texto evasivo da Cúpula não passa de uma
“carta de boas intenções”. Segundo Francisco Sarmento, da entidade ActionAid,
“o encontro e a declaração final não passam de discursos vazios e velhos".
O fracasso do mundo no combate à fome desvenda uma hipocrisia: os Objetivos do Milênio, a
fórmula-slogan com que os poderosos da terra tinham assumido o compromisso de
diminuir radicalmente a fome no mundo, não passa de palavras ao vento. A
verdade nua e crua é que o mundo não está nem aí para o flagelo do 1 bilhão que
passam fome no mundo.
A insensibilidade dos países ricos é taxada como criminosa pelo diretor da Campanha pelas Metas
do Milênio, Salil Shetty: “Sempre digo que se você fizer uma promessa e
não cumprir, é quase um pecado, mas se fizer uma promessa a pessoas pobres e
não cumprir, então é praticamente um crime”. O mesmo pensa Jean Ziegler,
ex-relator da ONU contra a Fome: "A morte pela fome hoje não é algo
inevitável. É um assassinato".
Em julho desse ano, por ocasião da reunião do G-8, Jacques Diouf,
diretor-geral da FAO, afirmava “que o tempo das palavras acabou” e que se fazia
necessário agir e com urgência. Mas nada foi feito. O grito de dor e súplica
por ajuda não foi ouvido pelos países ricos. Ainda pior, segundo o próprio Diouf, "hoje são destinados à
agricultura só 5% dos recursos, contra 3,6% de antes do G-8 de L'Aquila".
De nada adiantou a convocatória da vigília em solidariedade aos desnutridos e a greve de fome de 24 hs de Jacques Diouf com o objetivo de
chamar a atenção para a Cúpula Mundial de Segurança Alimentar. A ambiciosa
agenda da Cúpula de apresentar uma nova estratégia mundial para o campo e para
os mais de 1 bilhão de famintos virou pó. Os mais ricos sequer foram ao
encontro.
O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, preferiu ir à China, onde
junto ao seu colega presidente Hu Jintao, descartou a possibilidade de um acordo definitivo em Copenhague. A
principal preocupação da maior potência do mundo é como preservar o seu modo de
vida, de produção e consumo. O problema da fome saiu da agenda das grandes
potências faz tempo.
A obscenidade da fome, entretanto, se torna ainda maior quando se sabe que:
1) A fome mata 24 mil pessoas a cada dia – 70% delas crianças, afirmam
Ongs;
2) No mundo de hoje há mais comida do que em qualquer outro momento da
história da humanidade;
3) Temos 6,7 bilhões de habitantes, e produzimos mais de 2 bilhões de
toneladas de grãos, o que significa que produzimos quase um quilo de grãos por
pessoa e por dia no planeta, amplamente suficiente para alimentar a todos;
4) Segundo a FAO o mundo precisaria de US$ 30 bilhões por ano
para lutar contra a fome, recursos que significam apenas uma fração do US$ 1,1
trilhão aprovado pelo G-20 para lidar com a recessão mundial;
5) 65% dos famintos vivem em somente sete países;
6) Nos últimos meses irromperam revoltas por causa da fome em 25 países;
7) Os que sobrevivem à fome carregam seqüelas para sempre. A fome mina
as vidas e acaba com a capacidade produtiva, enfraquece o sistema imunológico,
impede o trabalho e nega a esperança;
8) No mesmo momento em que 1 bilhão de pessoas passando fome, outro 1
bilhão sofre de obesidade por excesso de consumo;
9) Uma criança americana consome o equivalente a 50 crianças africanas
da região subsaariana;
10) Cerca de 200 milhões de crianças de países pobres tiveram seu
desenvolvimento físico afetado por não ter uma alimentação adequada, segundo o Unicef
Por que
tantos passam fome?
Muitos pensam que o
problema da fome se deve ao excesso da população, de que não há alimentos para
todos e se faz necessário o controle da natalidade. Essa tese não se justifica.
A FAO, organismo da ONU dedicada à alimentação, há vinte anos afirma
que o problema é político. A fome é um problema, sobretudo, de acesso à comida
e não de disponibilidade de alimentos, ou seja, a crise alimentar não é uma
crise fundamentalmente de produção, mas de distribuição. O problema está no mercado.
“Hoje produzimos alimentos demais. Muito mais do que seria necessário para
alimentar a população atual, sendo que ainda nem estamos perto de esgotar o
potencial da alimentação direta. E, para pequenos produtores rurais, dobrar a
produção custa pouco”, argumenta Benedikt Haerlin, da fundação Zukunftsstiftung
Landwirtschaft, que apoia projetos ecológicos e sociais no setor
agrícola. “A ideia de que somos cada vez mais numerosos e por isso precisamos
produzir mais é equivocada. Precisamos é produzir melhor. Menos da metade dos
grãos hoje em dia é destinada à alimentação, enquanto a maior parte serve para
fabricar rações animais, biocombustíveis e outros produtos industriais”,
explica Benedikt Haerlin.
O problema é de acesso à comida, diz David Dawe, Ph.D. em Economia pela
Universidade de Harvard. Segundo ele, “a fome crescente é um problema de acesso à comida, e
não de disponibilidade de alimentos”. “Se temos 1 bilhão de pessoas que passam
fome por não ter dinheiro para comprar comida e outro bilhão de clinicamente
obesos, alguma coisa está obviamente errada”, alerta Janice Jiggings,
do Instituto Internacional para Meio Ambiente e Desenvolvimento em Londres.
A razão para o aumento da fome está ainda associada, entre outros fatores, a
crise econômica (leia-se especulação das grandes corporações com os alimentos
que chamam de commodities), às mudanças climáticas que provocam em alguns
momentos inundações e, em outros, secas terríveis, e ao aumento das
controvertidas plantações para produzir combustível, que rouba áreas da agricultura de subsistência.
A crise alimentar encerra ainda outro paradoxo: ela se dá num contexto de extrema falta e abundante
desperdício. Já hoje existe mais comida que o necessário garante o diretor-executivo do Programa das Nações Unidas para o
Meio Ambiente (Pnuma), Achim Steiner, e sem cultivar um
quilômetro quadrado que seja a mais, seria possível alimentar toda a população
do planeta. Segundo ele, “ao mesmo tempo em que temos uma crise de alimentos,
jogamos fora 30% a 40% dos alimentos produzidos. Ao invés de nos perguntarmos
onde podemos encontrar mais terra para cultivar ou se será preciso plantar na
Lua, deveríamos olhar para o nosso quintal. Temos que encontrar estímulos
financeiros para evitar que se jogue comida fora”.
A crise alimentar está também associado ao escandaloso subsidio concedido aos fazendeiros dos países ricos.
Existe muito dinheiro para subsidiar a agricultura dos que já tem muito e
pouco, ou quase nada, para os países pobres que mais precisam.
Vandana Shiva, a ativista e intelectual indiana, defende a tese de que “são os métodos de
desenvolvimento equivocados que causam a fome de centenas de milhões de
pessoas”. Segundo ela, “hoje, nos dizem que um bilhão de pessoas passam fome.
Eu acho que se deveria perguntar o porquê. O porquê é explicado há muitos anos
pelos especialistas, economistas e climatologistas como eu, que a FAO não
ouviu. Há estudos qualificados que defendem que as monoculturas tornam a
agricultura mais vulnerável, e que o uso de fertilizantes químicos contribui
para as mudanças climáticas”.
Nas últimas décadas, o livre comércio e as políticas neoliberais favoreceram e
incrementaram o agronegócio, em detrimento da agricultura familiar, da reforma
agrária, da produção ecológica.
A ativista dá o exemplo do seu país, a Índia: “A globalização não
significou o livre comércio de comida de alguns países para outros. Pelo
contrário, ela esmaga os países que podem produzi-la. Em troca, um bilhão de
pessoas passa fome. Em um mundo que produz mais comida do que nunca, o consumo
per capita, na Índia, caiu de 270 quilos por ano para 150 quilos, menos do que
na grande crise alimentar de Bengala [1945]. Hoje, 70% das crianças estão
desnutridos, e as mulheres estão anêmicas porque plantam sementes sem ferro”.
Vandana Shiva alerta para o mito da Revolução Verde, o que inclui
os transgênicos: “Hoje, falar de Revolução Verde como solução é absurdo.
A Revolução Verde só produziu mais arroz e trigo porque houve mais irrigação. O
ruim é que são usados pesticidas para sementes transgênicas que não são
afetadas por esses produtos. E as famílias se endividam ao comprar esses
produtos. Hipotecam até as terras. Hoje, os que passam fome são os produtores
de comida, porque não podem comer o que semearam. A indústria química, a
revolução verde e os transgênicos baseiam-se na morte. Vendem-na como
milagrosa, mas quando se substitui ciência por mitologia, nunca se sabe se os
colegas cientistas irão mentir. E a Revolução Verde é um mito”.
A “revolução verde”, 40 anos depois, mostra seus limites econômicos, ambientais
e sociais. O modelo agrícola dominante no mundo, o agronegócio, é destruidor da
natureza, assentado no monocultivo, concentrador de recursos, protagonizado
pelo grande capital, gera um reduzido número de postos de trabalho e atende
fundamentalmente interesses transnacionais, ao mesmo tempo em que persegue
objetivos mercadológicos. Os fertilizantes químicos e os defensivos agrícolas,
causam estragos ambientais muitos deles irreversíveis. Insistir nesse modelo
como resposta ao problema da fome é uma mentira.
Plantar
o que, para quê e para quem?
Em um instigante artigo,
o ambientalista e jornalista Washington Novaes, pergunta: “Qual é hoje a
questão central, mais grave, no mundo? A população de 6,8 bilhões, que pode
chegar a 9 bilhões em 2050 (ou a 12 bilhões, segundo demógrafos mais
pessimistas)? O consumo de recursos e serviços naturais, já quase 30% além da
capacidade de reposição do planeta (e que tende a crescer mais)? A fome (mais de
1 bilhão de pessoas) e a pobreza (cerca de 40% da humanidade)”?
O mérito da pergunta está no fato de que ao contrário de isolar os problemas é
necessário conectá-los. A crise alimentar está entrelaçada à crise climática.
No artigo, Washington de Novaes chama a atenção para o fato de que na
África Subsaariana, hoje com cerca de 800 milhões de pessoas, 200 milhões já
passam fome. Segundo ele, “a produtividade agrícola ali, de 1,2 tonelada por
hectare, é menos de metade da média nos demais países pobres, de 3 toneladas
por hectare. E só 3% das terras são irrigadas; 80% das propriedades rurais têm
menos de 2 hectares. Mas a moeda tem outra face: os pobres africanos (como os
asiáticos) emitem 0,1 tonelada de dióxido de carbono por ano, enquanto o
norte-americano médio emite cerca de 20 toneladas”.
Esse fato permite a vinculação com o tema da crise ecológica e Washington
Novaes faz menção a uma discussão promovida pela revista New Scientist
com alguns pensadores respeitados. O ambientalista cita, entre eles, a tese de Fred
Pearce, para quem o problema não é de população, mas consumo excessivo. Jesse
Aubels, da Universidade Rockefeller, acredita que a solução virá de
tecnologias que permitam produzir mais em menos terra, gerar mais energia com
equipamentos mais eficientes e não poluentes, replantar florestas, mudar
hábitos de consumo (uma dieta vegetariana, diz ele, pode ser viabilizada com
metade da área exigida por uma alimentação à base de carnes). Na sua opinião,
novas tecnologias permitiriam ao planeta ter até 20 bilhões de pessoas.
Fred Pearce, autor de Peoplequake (terremoto populacional),
entende que, mesmo se se estabilizar a população (com a queda da taxa de
fertilidade das mulheres), o consumo continuará sendo a questão crucial, tanto
pelo lado da sobrecarga em matéria de recursos e serviços naturais como pelo
ângulo das emissões de poluentes que afetam o clima, intensificadas pelo alto
consumo. Hoje, lembra ele, os 500 milhões de pessoas mais ricas (7% da
população mundial) respondem por 50% das emissões; os 50% mais pobres da
população (3,4 bilhões) respondem por 7% das emissões totais. Um
norte-americano emite tanto quanto toda a população de uma pequena cidade
africana.
O modo de produção e consumo dos países ricos é insustentável. A pressão que colocam
sobre o planeta para preservar o seu modo de vida é diretamente responsável
pelo que falta aos outros. A questão crucial a ser debatida é plantar o
que, para quê e para quem.
A
fome e o caso brasileiro
Numa Conferência em que os
governantes dos países mais ricos não foram, o Brasil sobressaiu como modelo a
ser perseguido, sobretudo em função do programa de transferência de renda, o
Bolsa Família. De acordo com um ranking elaborado pela ONG anti-pobreza Action
Aid, o Brasil é líder no combate à fome entre os emergentes.
O presidente Lula esteve na Cúpula Mundial sobre Segurança Alimentar da
ONU e afirmou que a fome “é a mais temível arma de destruição em massa
que existe no nosso planeta", acusou os países ricos ao dizer que “metade
dos recursos usados para salvar bancos erradicaria fome no mundo” e fez uma
veemente defesa do programa Bolsa Família – responsável, segundo ele, por
retirar 20,4 milhões da pobreza e reduzir em 62% a desnutrição infantil – e criticou aqueles que criticam o programa: "Qualquer esforço
para socorrê-los da pobreza, da exclusão e da desigualdade era visto, e ainda
é, por alguns, como assistencialismo ou populismo”.
“No caso da fome, acho que o Primeiro Mundo falhou. O Brasil, na verdade, se
tornou um exemplo a ser seguido, tendo criado um modelo de transferência de
renda, o do Bolsa Família, que poderia, e ao meu ver deveria, ser
universalizado via ONU, com a transferência de recursos dos países ricos
para os países mais pobres com o objetivo precípuo de erradicar a insegurança
alimentar grave. Não vejo outra posição eticamente sustentável tendo em vista a
dimensão do problema. Acho, realmente, que o mundo tem se omitido diante da
tragédia da fome”, afirma o cineasta José Padilha, vencedor do Urso de Ouro
com o filme Tropa de Elite (2007), e diretor do filme Garapa,
produzido neste ano, e que discute o problema da fome.
Segundo ele, “é eticamente inadmissível que alguém, no grupo dos
beneficiados históricos deste país, olhe para os miseráveis que não têm o que
comer e diga que os R$ 58 que o governo dá a ele são uma política errada".
A política do governo Lula de combate a fome é hoje vendida pela própria
FAO como um programa ser seguido por outros países. "No caso
brasileiro, ao contrário, sucessivas decisões de governo carimbadas por alguns
como assistencialistas foram corajosamente alçadas à condição de políticas de
Estado nos últimos sete anos. Nascia assim, silenciosamente, uma engrenagem de
fomento à demanda popular que se antecipou ao ‘mundo keynesiano’
legitimado pela explosão da bolha imobiliária nos EUA", escreve José Graziano da Silva, representante regional da FAO para América Latina
e Caribe.
Apesar dos esforços e progresso no combate à fome no país, cabe sempre alertar
que o Brasil ainda não acabou com o problema e isso é ainda mais vergonhoso
quando se sabe que o país está entre os maiores exportadores de alimento do
mundo e entre os 10 países que mais desperdiçam comida no mundo.
Em que pese o fato do investimento em tecnologia de ponta nas últimas décadas
ter colocado o Brasil entre os países mais competitivos do agronegócio no
mercado internacional, o mesmo não foi suficiente para acabar com um problema
básico: o desperdício de alimentos ao longo da cadeia produtiva. Sobre o
desperdício, há outra situação incomoda manifestada pelo economista italiano Bruno Parmentier.
Pergunta ele sobre o Brasil: “Como é possível que cause alegria em seu país,
por exemplo, a abertura de restaurantes em que se paga um preço fixo ao entrar
e a comida é ilimitada? Isso é provavelmente algo que tem suas raízes na
cultura brasileira, mas que não corresponde de modo algum às exigências e aos
desafios do século 21”.
Crise
ecológica. Copenhague ‘flopou’
A Conferência das Partes
da Convenção das Nações Unidas – COP 15, ou simplesmente a Conferência
do Clima de Copenhague, um dos eventos mais aguardado do ano, senão o mais
aguardado está fadado ao fracasso, simplesmente “flopou”, como diz o jornalista Claudio Angelo, ou seja, será um
fiasco.
A importância de Copenhague que será realizado em dezembro ganhou evidência
após o impactante relatório do IPCC (Painel Intergovernamental de
Mudanças Climáticas – sigla em inglês) de 2007. À época, o informe dos
pesquisadores e cientistas foi categórico e não deixou espaço para dúvidas ao
afirmar de forma contundente – o relatório utilizou a expressão “inequívoca” –
que o aquecimento global se deve à intervenção humana sobre o planeta.
Aguardava-se um compromisso mínimo entre os países para mitigar os problemas
ambientais. Agora a elegante linguagem diplomática trabalha com o conceito de um acordo "politicamente vinculante", em
vez de "legalmente vinculante”. Na prática significa “empurrar com a
barriga” o problema para 2010.
A pá de cal em Copenhague foi dada pelos EUA. O presidente americano Barack
Obama, em encontro com o presidente chinês, Hu Jintao, anunciou não ser possível anunciar metas para a Conferência no que
foi seguido pelo presidente da China. Se a maior potência do mundo, os EUA, seguido
pela segunda maior potência, a China, não querem um acordo no momento,
Copenhague virou uma miragem. Sequer a presença de Barack Obama está
certa na Conferência.
"Estou triste e desiludido. Nem o estímulo do Nobel pela paz foi
suficiente para colocar as exigências globais em primeiro plano: continuamos
sendo prisioneiros dos vetos cruzados da política interna", afirma
Barry Commoner em entrevista ao La Repubblica sobre a posição americana. Barry,
ecologista que há mais de 40 anos luta para dar espaço à energia solar, ficou
chocado com a freada da Casa Branca com relação ao clima. Segundo ele, “a
pressão política para a reforma da saúde fez com que faltasse o estímulo
necessário para se obter um resultado no jogo climático. Assim, Obama registrou
uma pesada derrota: não conseguiu assumir a liderança da economia verde".
Alguns já falam que Copenhague pode virar Doha, uma referência ao possível acordo
comercial mundial que arrasta-se há anos e permanece inconcluso.
Na opinião do africano Kumi Naidoo, porta-voz da Campanha
Internacional contra as Mudanças Climáticas do Greenpeace, falta vontade
política para salvar Copenhague. Diz ele: “Se houve vontade para mobilizar
bilhões para salvar bancos responsáveis pela crise, uma fração desse dinheiro
resgataria a população pobre e o clima”.
É nesse contexto que devem ser interpretados os discursos inflamados dos presidentes Lula e Sarkozy
nos últimos três dias. Os dois países anunciaram metas unificadas de combate às
mudanças climáticas. Trata-se de uma aliança, a tentativa de formação de um
bloco um bloco em oposição a Washington e Pequim.
O desfecho não chega a surpreender. Os encontros preparatórios à Copenhague de Bonn ,
Bancoc e recentemente Barcelona, já anunciavam a dificuldade de um possível acordo.
Na realidade, o fracasso anunciado de Copenhague está ligado ao fato de que os
países ricos e os países em desenvolvimento temem a mesma coisa: frear o crescimento econômico. Os países industrializados (EUA e
União Européia) temem se comprometer com metas fortes de redução das emissões
de gases que provocam o aquecimento global, pois não querem ter perdas
econômicas.
Já os países em desenvolvimento (particularmente o Brasil, a China e a Índia),
mas também os africanos – com a África do Sul à frente –,
argumentam que a responsabilidade histórica pela emissão de gases-estufa é dos
países industrializados e que, assim como as nações do Norte, também têm o
direito de se desenvolver. Os países em desenvolvimento não aceitam metas
obrigatórias e querem que os industrializados concedam financiamentos para
adaptação às mudanças climáticas.
O ambientalista Washington Novaes em entrevista à revista IHU On-Line, resumiu bem o impasse: “Os
chamados países emergentes como Brasil, China, Índia, México e África do Sul
alegam que essa responsabilidade [de drástica redução da emissão de gases
estufa] deve caber aos países industrializados que emitem mais e há mais tempo,
e que os emergentes não poderiam assumir compromissos de reduzir emissões
porque isso poderia comprometer o seu desenvolvimento. Os países desenvolvidos,
continua ele, em contrapartida, argumentam que se os emergentes não assumirem
compromissos de redução, não se conseguirá nada porque, neste momento, o mundo
em desenvolvimento já consome mais energia e emite mais que o primeiro mundo”.
O mesmo afirma o jornalista Cláudio Angelo, para quem a culpa é
de todo mundo. Diz ele: “Os EUA são apenas a Geni do processo. Os
europeus estão divididos, sem liderança e pressionados pelas próprias picuinhas
internas – a resistência dos países mais pobres do Leste, por exemplo. Foi a UE,
aliás, que cunhou o eufemismo ‘politicamente vinculante’ para ‘acordo
fracassado’, na semana retrasada, em Barcelona. Canadá, Japão, Austrália e Nova
Zelândia também não querem compromisso, mas se escondem atrás dos EUA. Com um
clima desses, é melhor mesmo suspender a reunião e reconvocá-la depois. Resta
saber se o planeta pode esperar – e sem garantia de sucesso. De toda forma,
antes correr esse risco do que fechar um acordo frouxo, à la Kyoto, na capital
dinamarquesa – que talvez fizesse bem em mudar seu nome para
‘Flopenhague’".
O
apagão e a matriz energética brasileira
O blecaute de 10 de novembro de 2009 é o maior dos últimos 10 anos. Afetou cerca de 800 cidades, em nove Estados e no Distrito Federal.
Houve um desligamento simultâneo de três das cinco linhas de transmissão de 750 kV de Itaipu. Sobrecarregado, o sistema não suporta a carga e cai. As causas ainda estão sendo investigadas. Teoricamente, podem estar ligadas a três fatores: geração, transmissão ou gestão. A primeira causa, de geração de energia, foi logo refutada. Na avaliação de dois professores da Coordenação dos Programas de Pós-Graduação em Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe/UFRJ), Roberto Schaeffer e Carlos Portela, as causas poderiam ser erro humano ou falha de equipamento (computador) ao fazer as compensações geradas pelo desligamento automático de uma das linhas de Itaipu.
Deve-se evidenciar que o blecaute deste mês não é similar ao apagão de 2001, provocado por um racionamento de energia em decorrência de um déficit de produção e sobreconsumo.
Na opinião de Luiz Pinguelli Rosa, físico, é diretor da Coppe-UFRJ (Coordenação dos Programas de Pós-Graduação em Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro), “é preciso esclarecer, porém, que o ocorrido na terça-feira foi totalmente diferente do chamado apagão de 2001, quando o governo decretou um racionamento obrigatório de energia elétrica para toda a população, sob pena de desligamento de residência ou empresa por alguns dias caso não fosse cumprido o corte no consumo”.
Portanto, o que aconteceu desta vez não foi propriamente um apagão, mas antes um blecaute. Mas, tão logo parte do país mergulhou na escuridão, ocorreu também um apagão de informações. Vieram à tona informações desencontradas para explicar o que estava acontecendo. Mas em clima pré-eleitoral, a ocasião foi pretexto para boatos e especulações. Pelo lado do Governo, tratou-se logo de apagar os vestígios de chamas que poderiam chamuscar a imagem da Dilma Rousseff e comprometer sua corrida à presidência em 2010. O ministro das Minas e Energia, Edison Lobão, tratou de encerrar o assunto de forma autoritária: "O assunto está encerrado", disse a jornalistas.
O Brasil assumiu um modelo energético assentado em grandes usinas hidrelétricas, distantes dos grandes centros demandadores de energia. Para compensar esse fator e dadas as proporções continentais do país, colocou-se em ação um sistema integrado e centralizado – e inteligente – de energia. A vantagem está em que dessa maneira o Operador Nacional do Sistema (ONS) pode compensar o déficit em energia de uma região com a abundância de outra. Mas a desvantagem é o centralismo associado à política de grandes usinas e sua vulnerabilidade a ataques de hackers, por exemplo, que podem derrubar todo o sistema.
Mario Veiga, presidente da PSR Consultoria, que atua no setor elétrico, é um entusiasta e grande defensor do sistema integrado. Para ele, o blecaute da semana passada foi obra do “azar”, expressão que utiliza para referir-se aos milhares e até bilhões de fatores que necessitam permanente e constantemente ser conjugados para evitar este tipo de situação: “Certamente foi um evento absolutamente inesperado”, acredita ele.
Entretanto, e esse é o elemento que queremos ressaltar, esse modelo energético é tributário das gigantescas usinas hidrelétricas. Itaipu, construída na década de 1970, é hoje responsável por 20% da energia consumida no Brasil. As projeções de crescimento econômico e de aumento do consumo doméstico de energia induzem à construção de novas usinas. Sempre mais afastadas dos centros consumidores, as usinas de Belo Monte no Rio Xingu, Jirau e Santo Antonio no Rio Madeira, estão sendo projetadas para serem construídas no coração da Amazônia, com custos ambientais e sociais de fantásticas proporções. Os povos indígenas e setores ligados às Igrejas e parcelas de alguns movimentos sociais, ecologistas, são os únicos a se oporem a este modelo energético.
Sempre situando esta temática na sua relação com a questão ambiental, não nos cansamos de chamar a atenção para a existência de outra matriz energética em que a energia é produzida em escala descentralizada e com impactos menores sobre o ambiente. Que está, além disso, em sintonia com a revolução tecnológica informacional.
“Estamos no início da terceira revolução industrial: no período dos próximos trinta anos, tudo mudará, como mudou quando o vapor foi substituído pela eletricidade. Desta vez, quem vencerá será a intergrid, a Internet da energia: uma rede elétrica interativa e descentralizada, que transformará milhões de consumidores em pequenos produtores de energia criando um sistema mais confiável, mais seguro e mais democrático. Os edifícios serão envoltos em fotovoltaicos e, em vez de sugar a energia, produzirão. Os motores dos automóveis poderão, por sua vez, transformar-se em minicentrais, os tetos dos pavilhões beberão a energia solar com seus painéis e a restituirão. Uma parte da eletricidade será consumida diretamente no local de produção, reduzindo a dispersão. É uma revolução radical que mudará toda a arquitetura do nosso sistema produtivo. E quem compreender isso primeiro guiará o novo salto industrial”, postula Jeremy Rifkin.
Esse novo modelo energético deve dar um salto paradigmático capaz de integrar produção de energia, modelo de desenvolvimento econômico e ecologia, em sintonia com a nova revolução tecnológica informacional.
‘Há possibilidades, não probabilidades, de esperança’
A crise ecológica
associada à crise alimentar e aqui poder-se-ia acrescentar as crises econômica,
energética e do trabalho evidenciam uma crise de modelo de desenvolvimento de
tipo civilizacional. Como diz Morin, “a novidade é que hoje está a
caminho uma catástrofe que é resultante do desenvolvimento humano (...) estamos
em um processo combinado de destruição do planeta que nos leva a uma catástrofe
geral ou a várias catástrofes combinadas. O desastre”. “Não se pode continuar
muito tempo por este caminho”, diz ele.
Afirma Morin sobre o impasse da civilização: “A análise que faço é que
há possibilidades, não probabilidades, de esperança. E a esperança não se
encontra no coração da desesperança. Hölderlin dizia: ‘Ali onde cresce o
perigo cresce também a salvação’; isso significa que o crescimento do perigo
nos remete à consciência do que acontece e nos enuncia o que deve ser feito...
Antes da esperança era uma fé; agora é apenas esperança. É muito importante,
porque se não houver esperança não haverá projeção no futuro”.
Para o filósofo e sociólogo, “tudo há de recomeçar. É algo terrível, mas é
também maravilhoso, porque necessitamos de um estímulo. Esta ideia me ajuda a
viver. Sou otimista e pessimista, um pessiotimista, ou vice-versa”, e aqui
destaca o papel dos intelectuais: “Devem colocar sobre a mesa os problemas
fundamentais, e não fazê-lo de uma maneira superficial”.
Conjuntura
da Semana em frases
Assassinato
“A morte pela fome hoje não é algo inevitável. É um assassinato" - Jean Ziegler, ex-relator da ONU contra a Fome – O Estado de S.
Paulo, 16-11-2009.
Lula e a fome no mundo
"Qualquer esforço para socorrê-los da pobreza, da exclusão e da
desigualdade era visto, e ainda é, por alguns, como assistencialismo ou
populismo” – Luiz Inácio Lula da Silva, presidente da República – O
Estado de S. Paulo, 17-11-2009.
dormiu em 2002...
“Um brasileiro que tivesse adormecido em 2002 e só acordado em 2009 teria
enorme dificuldade para entender o que está acontecendo” – Antonio Delfim Netto, economista – Valor,
17-11-2009.
e acordou em 2009.
“O nosso brasileiro que acordou em 2009 estaria completamente surpreso: nem FHC
nem Lula serão candidatos em 2010. Apesar disso, todo o protagonismo político
está concentrado assimetricamente sobre eles. O primeiro é hoje, aparentemente,
a "oposição" e o segundo a "situação", isto é, o poder
incumbente. A outra surpresa (que tem um ar de "milagre"), o Brasil
tornou-se em 2009 credor do FMI! O que aconteceu, haveria de perguntar-se?” – Antonio Delfim Netto, economista – Valor,
17-11-2009.
Bancos
“O governo Lula nunca escondeu sua afinidade com grandes empresas e bancos, os
quais ajudou durante a crise e que agora retribuem” – Luciana Genro, deputada federal – PSOL-RS, sobre propaganda da GM que,
a propósito de vender um novo carro da marca, enaltece feitos do governo; o
BNDES injetará R$ 420 milhões em unidade da montadora no município gaúcho de
Gravataí – Folha de S. Paulo, 17-11-2009.
Sócio oculto
“Por que será? Quatro
empresas que deram dinheiro para o filme “Lula, o filho do Brasil” não querem
aparecer. Bancaram 20% do total arrecadado de — dizem os produtores — R$ 12
milhões. Segundo fontes do mercado cinematográfico, os mecenas são bancões” – Ancelmo Gois, jornalista – O Globo, 17-11-2009.
Filho porreta
“"Lula, o filho do Brasil" ajudará, e muito, as campanhas de Dilma
Rousseff e do PT. Se Luís Inácio da Silva visse esse filme em 1968, quando era
um peão que só pensava em futebol, votaria no PT, em Dilma e nos candidatos
indicados por aquele filho porreta de Dona Lindu” – Elio Gaspari, jornalista – Folha de S. Paulo, 15-11-2009.
Chiclete
“É comum ver adversários de Lula torcendo o nariz sempre que ele relembra as
dificuldades por que sua família passou. As desgraças mostradas no filme são
uma pequena e contida amostra do que eles penaram. Fábio Barreto não filmou a
cena em que o menino Lula pede um chiclete mastigado a um amigo” – Elio Gaspari, jornalista – Folha de S. Paulo, 15-11-2009.
Lula, filho do Brasil
“Se eu engordar, vou ter de comprar novos ternos. Só que estes ternos são
caríssimos! Não quero comprar outros se vou sair da Presidência daqui a pouco”
– Lula,
explicando a um amigo porque está de dieta – O Globo, 15-11-2009.
Cooptação
"Ele (Lula) não tem contribuído para fortalecer os movimentos sociais.
Pelo contrário, tirou o seu protagonismo e cooptou o movimento sindical" –
Luíza Erundina, ex-prefeita de São Paulo, deputada
federal – PSB-SP – Folha de S. Paulo, 17-11-2009.
Traição
“O governo petista é uma traição à classe trabalhadora” – Plínio de Arruda Sampaio, fundador do PT e agora no PSOL – O
Globo, 15-11-2009.
Ricos e pobres
“O governo Lula minimiza
o sofrimento dos que são muito pobres e mantém a boa-vida dos ricos” – Ricardo Antunes, sociólogo – O Globo, 15-11-2009.
Aécio e Ciro
“Eu gostaria de estar em
um projeto político ao lado de Ciro Gomes” – Aécio Neves, governador de Minas Gerais – PSDB – O Globo,
17-11-2009.
Rubro-verde
"Vamos viabilizar uma forma de estarmos juntos. Além da amizade, essa declaração
vale pela intenção de voto" – Marina Silva, senadora – PV-AC, comentando a manifestação de apoio de
Heloísa Helena – PSOL – à candidatura da ex-ministra à Presidência da República
– Folha de S. Paulo, 14-11-2009.
Marina segundo o PSTU
"Nem sequer na questão ambiental podemos dizer que ela representa uma
diferença fundamental” - José Maria de Almeida, presidente do PSTU, criticando
Marina Silva e afirmando que o seu partido não se aliará com o PSOL se este
fizer aliança com o PV – Folha de S. Paulo, 11-11-2009.
95%
“Estou 95% de acordo com
o panorama que o ministro Guido Mantega (Fazenda) esboçou aqui” – José Serra, governador de São Paulo – PSDB – em encontro público
com Mantega e Lula, sobre a economia do País – O Globo, 15-11-2009.
Uns 6%...
“Eu vou tentar não falar nada de macroeconomia, porque o Serra só discordou 5%
do Guido (Mantega). E ele pode querer discordar um pouco mais de mim, uns
6%...” – Lula,
brincando com Serra – O Globo, 15-11-2009.
Lula e FHC
“Qual é a diferença entre
o meu Governo e o de Lula no que se refere ao modelo econômico? Muito pouca: é
basicamente social-democrata, isto é, respeito ao mercado, sabendo que o
mercado não é tudo, e políticas sociais eficazes. Todos aprendemos a fazer
políticas sociais. Chile aprendeu, México aprendeu, Brasil aprendeu, Uruguai já
as tinha...” – Fernando Henrique Cardoso, ex-presidente do Brasil – El País,
15-11-2009.
400 a zero
"Nosso governo dá de 400 a zero no anterior" – Dilma Rousseff, ministra Chefe da Casa Civil – O
Estado de S. Paulo, 11-11-2009.
Freud
"Eu já disse várias vezes: Freud dizia que tem algumas coisas que a
humanidade não controlaria. Uma delas eram as intempéries" – Luiz Inácio Lula da Silva, presidente da República
referindo-se ao blecaute – O Estado de S. Paulo, 13-11-2009.
Tamanho do vento
"A gente não sabe o tamanho do vento, o tamanho da chuva. Sabe que, quando
vem, tudo que a gente bolou, escafedeu-se” – Luiz Inácio Lula da Silva, presidente da República referindo-se
ao blecaute – O Estado de S. Paulo, 13-11-2009.
Precaução
"Quando eu estava no
governo, falava do "princípio da precaução". As pessoas não gostavam
muito. Mas quando se trabalha com esse princípio, há menos erros, menos
prejuízos políticos e morais” – Marina Silva, senadora – PV-AC, referindo-se ao blecaute – O
Estado de S. Paulo, 15-11-2009.
Desmatamento na Amazônia
"Isso foi obtido muito na pancada. Noventa por cento é resultado da
repressão" – Carlos Minc, ministro do Meio Ambiente, sobre a queda de desmatamento
na Amazônia, Folha de S.Paulo, 13-11-2009.
Só teoria
“Gente, esse Código de Ética só serve para a prova, porque na prática nunca é
usado” - professora falando do Código de Ética do servidor, na semana
passada, na aula de um desses cursinhos que preparam para concursos públicos,
em Brasília – O Globo, 16-11-2009.
Chacota
“No plano internacional, a Uniban e o Brasil são motivo de chacota. Que país é
este, famoso por suas mulheres quase nuas nas praias, nos cartões postais e nos
comerciais de TV, que não admite um vestido pouco mais curto que o de Julie
Andrews em "A Noviça Rebelde"?” – Ruy Castro, jornalista e escritor – Folha de S. Paulo,
11-11-2009.
Amarelou
“O Palmeiras é a bandeira
do Brasil: é verde, joga de azul, deu um branco e, no final, amarelou!” – José Simão, humorista – Folha de S. Paulo, 14-11-2009.