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Análise CEPAT

Conjuntura da Semana. Uma leitura das 'Notícias do Dia' do IHU de 07 a 14 de outubro de 2008

A análise da conjuntura da semana é uma (re)leitura das ‘Notícias do Dia’ publicadas, diariamente, no sítio do IHU. A presente análise toma como referência as "Notícias" publicadas de 07 a 14 de outubro de 2008. A análise é elaborada, em fina sintonia com o IHU, pelos colegas do Centro de Pesquisa e Apoio aos Trabalhadores - CEPAT - com sede em Curitiba, PR, parceiro estratégico do Instituto Humanitas Unisinos - IHU.

Sumário:

Crise planetária
O mundo prende a respiração
Derrame de dinheiro público
A mão visível do Estado
O Império e os pobres
Repercussões da crise financeira no Brasil
O Proer de Lula
Pobreza e desemprego devem aumentar

A crise financeira e a política nacional
Conjuntura da Semana em frases

Eis a análise.

Crise perde intensidade, mas turbulências continuam

Entre o domingo e a segunda-feira dessa semana o mundo financeiro, mas também o mundo político, prendeu a respiração aguardando a abertura das bolsas em todo o mundo. A grande dúvida: as reuniões do G-7 e da cúpula da União Européia (UE), realizadas no final de semana, interromperiam o derretimento das bolsas em todo o mundo?  Conseguir-se-ia evitar o caos similar ao da sexta-feira, dia 10, quando as bolsas despencaram vertiginosamente?

No domingo, Eugenio Scalfari, jornalista italiano, escreveu no La Repubblica: “Com a respiração suspensa se espera a abertura das Bolsas européias na manhã desta segunda-feira”. Segundo Scalfari, “depois da reunião e das decisões tomadas pelos ‘Grandes’ – para a qual os emergentes não foram convidados –, os mercados julgarão a eficiência das decisões tomadas. Se os mercados não tiverem recuperado a confiança apesar das decisões de Washington e de Paris então os assim chamados Grandes não serão mais do que bonecos num teatro de fantoches, sem credibilidade e força. Esperemos que não seja assim porque a alternativa seria uma catástrofe planetária”.

O pior não aconteceu e a segunda-feira amanheceu afastando do horizonte as nuvens mais carregadas, ao menos até o momento. Com o generoso anúncio, principalmente da União Européia de um derrame de dinheiro público no sistema financeiro, a irracionalidade do mercado foi contida. Na segunda-feira, as bolsas ao redor do mundo voltaram a subir.

Aparentemente, a confiança foi restabelecida. Frente às previsões de que o mundo estava à beira do caos e de que a crise assumiu contornos incontroláveis, a semana iniciou como um grande alívio para governos de todo o mundo. A contenção parcial da crise não significa que a mesma tenha sido debelada, bem como os seus efeitos estejam longe de serem absorvidos. Ao contrário, continua valendo o prognóstico de que a única certeza da crise é a sua incerteza, como já destacávamos em análise anterior. Destaque-se que no momento do fechamento dessa análise as notícias dão conta que novas turbulências atingem as bolsas.

A grande vitória parcial obtida foi a do restabelecimento da confiança nos mercados financeiros. O próprio FMI, lembra Scalfari, anunciou que o que estava em jogo era a confiança dos depositantes e dos poupadores. Paradoxalmente a confiança é um valor que nada tem a ver com a propalada racionalidade do mercado e se aproxima muito mais do mundo religioso.

Derrame de dinheiro público

O retorno da confiança, conseguida ao menos em parte, apenas foi possível com a resoluta ação do Estado. Como destacou a chanceler alemã Angela Merkel, “só a ação dos Estados pode agora restaurar a necessária confiança". O presidente francês Sarkozy, anfitrião do encontro da União Européia, disse algo semelhante: “Não será o mercado quem decidirá nada”.

O ministro de Finanças belga Didier Reynders – destaca o jornalista Clóvis Rossi em reportagem sobre o encontro – antecipou o espírito das decisões da União Européia: “a partir de agora, haverá uma avalanche de planos de salvamento”. Segundo o jornalista, os primeiros-ministros europeus decidiram jogar pesado “a ponto de o Reino Unido, país moldado pela hiper-liberal Margaret Thatcher, estar na iminência de tomar o controle majoritário de dois dos principais bancos do país, o RBS (Royal Bank of Scotland) e o HBOS (Halifax Bank of Scotland), além de assumir posição importante em outros dois (Lloyds TSB e Banco Barclays)”. O jornalista fala em estatização parcial do sistema financeiro europeu, considerando que uma das medidas anunciadas se dará por meio de refinanciamento aos bancos, via compra de ações.

A pesada intervenção da União Européia no sistema financeiro assumiu o ‘caminho britânico’, ou seja,  garantias governamentais para evitar a quebradeira dos bancos. O The Wall Street Journal, uma das mais potentes vozes pró-livre mercado, saudou em editorial, segundo Clóvis Rossi, o pacote britânico: “a mexida de Londres vai ao coração do problema, que é a falta de capital no sistema financeiro - o combustível para o pânico global”. O Guardian, mais à esquerda, diz o jornalista, também teceu elogios e chama o plano Brown [primeiro-ministro inglês] de "bem desenhado" e completo: "Enfrenta os três grandes problemas dos bancos - capital, liquidez e financiamento. Sob esse aspecto, é melhor que o plano Paulson [Hank Paulson, secretário do Tesouro americano]".

Um plano socialista para salvar o capitalismo, essa foi a tônica da imprensa britânica sobre o injeção de 500 bilhões de libras [R$ 1,866 trilhão] de dinheiro público no pacote de resgate dos bancos. Tudo incluído, as estimativas são de que o pacote europeu chegará a € 300 bilhões.

Os EUA sinalizam que poderão adotar o mesmo caminho que os europeus. Após o encontro do G-7, o secretário do Tesouro americano, Henry Paulson, confirmou que o governo dos Estados Unidos vai comprar ações de instituições financeiras. Ou seja, bancos americanos também poderão ser estatizados ou parcialmente estatizados, tal como já vem ocorrendo na Europa.

Até o momento, havia distinção entre o pacote americano e o da União Européia. A UE optou por recapitalizar os bancos comprando ações preferenciais e os EUA e o seu pacote de US$ 700 bilhões destina-se, sobretudo a compra de ativos sem valor – os chamados papéis podres. Em tese, comprar os ativos sem valor é o eixo do plano Paulson, mas o seu projeto de lei autoriza injeção de capital do governo no sistema bancário quando necessário – algo que o governo britânico está fazendo agora e que outros países europeus adotaram como método, e que os EUA se dispõem a adotar.

A mão visível do Estado

A crise financeira mundial resgatou Keynes, economista que defendia a necessidade de um Estado ativo e protagonista na regulação econômica. No confronto ideológico entre Friedman versus Keynes, o último vem se saindo melhor, como destaca o economista Bresser Pereira: “usando instrumentos keynesianos e pragmáticos, não apenas o governo americano, mas todos os governos relevantes financeiramente estão agindo imediatamente, e com força. E são governos que têm por trás de si Estados fortes, democráticos, dotados de legitimidade política e de recursos fiscais vultosos. Não há razão para que não sejam afinal bem-sucedidos e a confiança seja recuperada".

Para o economista, “agora, quando vemos o Estado surgir em cada país como a única tábua de salvação, fica evidente o absurdo da oposição entre mercado e Estado proposta por neoliberais e neoclássicos. Um liberal pode opor coordenação do mercado à do Estado, mas não pode se colocar, como os liberais se colocaram, contra o Estado, buscando diminuí-lo. O Estado é muito maior do que o mercado; é o sistema constitucional-legal e a organização que a garante; é o instrumento por excelência de ação coletiva da nação. Cabe ao Estado regular e garantir o mercado e, como vemos agora, servir de emprestador de última instância”.

Em meio à tempestade da crise financeira, chama a atenção o fato de que o prêmio Nobel de Economia foi dado, nessa semana, a um neo-keynesiano: Paul Krugman, economista norte-americano e colunista do jornal New York Times.

O que agora assume ares de obviedade – a necessidade de um Estado forte – até pouco tempo atrás era execrado. O Estado deixou de ser o problema para voltar a ser a solução, destacávamos em conjuntura anterior.

Os mitos do liberalismo caíram por terra e a tese liberal do mercado com aquele que se auto-regula se tornou uma falácia. A crise em que estamos metidos vem sendo associada à crise de 29 que também irrompeu a partir da quebradeira de bancos. Na oportunidade, a superação da crise veio com uma enérgica ação do Estado como lembra o economista Luiz Gonzaga Belluzzo. Segundo ele, à época, “só ação coletiva empreendida através do Estado democrático impediu o mergulho da sociedade americana no desconhecido. Seria difícil imaginar o destino das economias capitalistas, sem que a mão visível do Estado as tivesse protegido do autoflagelo da mão invisível do mercado”. 

Na opinião do economista, “somente a substituição dos mecanismos automáticos do mercado pela ação consciente do Estado foi capaz de evitar a desordem social e o avanço do totalitarismo à esquerda e à direita. O Estado regulou as relações econômicas fundamentais e o New Deal preparou o imaginário das sociedades para a defesa da democracia no embate com o nazi-facismo e para a reorganização econômica social e política que orientou o estrondoso sucesso do capitalismo do pós-guerra”.

Essa constatação da necessidade do Estado, entretanto, não esconde o fato de que não haja perdedores. Como sempre, a corda arrebenta do lado dos mais fracos. Como diz Felipe González, ex-presidente do governo espanhol, a economia nos áureos tempos do neoliberalismo chegou a funcionar como um cassino global, mas com uma fundamental diferença, diz ele: “Nos cassinos, o que arrisca e perde não reclama que papai-Estado lhe devolva o dinheiro”. A superação da crise está sendo feita com recursos públicos.

Na análise do economista bengalês Muhammad Yunus, Nobel de Paz de 2006, que dirige o Grameen Bank conhecido como o “banco dos pobres”, o excesso de ganância resultou na crise uma vez que transformou os mercados em negócios de risco semelhantes a cassinos.  Segundo ele, “vivemos um colapso mundial, que surgiu quando o sistema financeiro perdeu a relação com a vida real”. Yunus diz que “o capitalismo não vai acabar, mas precisa ser reformado”.

O Grameen Bank não foi afetado pela crise internacional. A explicação de Yunus é de que, diferentemente dos americanos que não conseguiram pagar seus compromissos porque os créditos que tomaram estavam acima das suas possibilidades, o Grameen Bank concede pequenos créditos a pessoas que são pobres, mas usam o dinheiro que recebem produtivamente. “Quem toma US$ 100,00 ou US$ 200,00 em empréstimos usa esse dinheiro para comprar animais e material para a agricultura, ganha dinheiro com isso e paga o que tomou emprestado de volta. Nos EUA, o setor de crédito começou a funcionar como uma bolha especulativa, que rompeu quando os tomadores dos empréstimos não conseguiram mais pagar seus compromissos”, diz ele.

Porém, destaca Muhammad Yunus, “a crise vai com certeza atacar o mundo inteiro e terá um efeito para os pobres de Bangladesh e do Terceiro Mundo ainda pior do que os efeitos das últimas crises dos anos 80 e 90. Se um grande especulador da Bolsa de Nova York perde alguns milhões de dólares, ele sempre tem alguma reserva para conseguir viver relativamente bem, apesar da perda. Já os pobres que tomam empréstimos no meu banco sofrerão mais com a crise, porque muitos perderão a chance de trabalhar ou de vender os seus produtos”.

A cobiça destacada por Muhammad Yunus como um dos elementos na origem da crise é corroborado por Rubens Ricupero, ex-secretário-geral da Unctad. Segundo ele, “podemos ignorar quando vai terminar o ‘século 21 americano’, mas já sabemos como e por que ele vai acabar: pela desenfreada liberalização financeira e devido ao imoderado gosto da cobiça”.

Por outro lado, a constatação de Muhammad Yunus de que na origem da crise está o descolamento do capital financeiro do capital produtivo, ou seja, do capital virtual da economia real, trouxe à tona nesses dias as reflexões de François Chesnais para quem a crise exprime os limites históricos do sistema capitalista.

Na análise de Chesnais, “a crise vai desenvolver-se de tal modo que as primeiras e realmente brutais manifestações da crise climática mundial vão combinar-se com a crise do capital enquanto tal. Entramos numa fase em que se coloca realmente uma crise da humanidade, dentro de complexas relações nas quais se incluem também os acontecimentos bélicos, mas o mais importante é que, mesmo excluindo a explosão de uma guerra de grande amplitude que, no presente momento, só podia ser uma guerra atômica, estamos confrontados com um novo tipo de crise, com uma combinação desta crise econômica, que começou, com uma situação na qual a natureza, tratada sem a menor contemplação e atacada pelo homem no marco do capitalismo, reage agora de forma brutal. Isto é uma coisa quase excluída das nossas discussões, mas que vai impor-se como um fato central”.

Chesnais afirma ainda que outro elemento a ter em conta “é que esta crise tem como outra de suas dimensões a de marcar o fim da etapa em que os Estados Unidos podiam atuar como potência mundial sem comparação. Diz ele: “na minha opinião, os Estados Unidos vão ser submetidos a uma prova e num prazo muito curto, todas as suas relações mundiais modificaram-se e terão, no melhor dos casos, de renegociar e reordenar todas as suas relações com base no fato de que têm de partilhar o poder. E isto, evidentemente, é algo que nunca aconteceu de forma pacífica na história do capital...”, afirma.

O Império e os pobres

A crise tem os seus perdedores e entre eles estão os pobres. Entre os perdedores com a crise mundial estão os países emergentes e aqui entra o Brasil como analisaremos na seqüência. Destaque-se a atualidade da análise de Antonio Negri e Michael Hardt no livro Império, tantas vezes já abordado nas análises do sítio do IHU. Nos encontros dos países ricos – União Européia e G-7 – os países emergentes e pobres não foram convidados a darem a sua opinião sobre a crise, embora estejam entre as maiores vítimas.

Como bem lembra Negri e Hardt o Império assume a forma de uma pirâmide e na topo dela, numa primeira camada, encontram-se os EUA, que ainda se caracterizam como uma superpotência, pois têm a hegemonia da bomba (arsenal bélico), o dinheiro (cada vez menos, porém é inegável o peso do dólar na economia mundial) e a comunicação (a hegemonia cultural do que é consumido no mundo), no segundo nível da primeira camada, dizem os autores, encontram-se os Estados-nação (G-7Clube de Londres e de Paris; Davos) e num terceiro nível dessa primeira camada, os organismos paraestatais: OMCFMIBIDOTAN. É a cúpula da pirâmide que ainda dá as cartas no mundo.

Repercussões da crise financeira no Brasil

No começo do estouro da crise financeira nos Estados Unidos, o governo brasileiro fez um discurso otimista no sentido de que o Brasil não seria afetado pela crise porque hoje o país se encontraria em situação melhor. Um pouco como se o Brasil fosse uma ilha num contexto de economia globalizada. “Lá, ela é um tsunami; aqui, se ela chegar, vai chegar uma marolinha que não dá nem para esquiar”, disse Luiz Inácio Lula da Silva, presidente da República, no começo do mês, referindo-se à crise financeira.

Simultaneamente, no plano interno o governo acompanhou o desenrolar da crise de modo atento e apreensivo. Aos poucos o discurso foi admitindo a possibilidade de o Brasil também ser atingido pela crise e, finalmente, o reconhecimento de que a crise já tinha feito vítimas internas. O governo postou-se então preparado para adotar políticas capazes de evitar uma débâcle interna.

Há quem advertia para a uma enorme vulnerabilidade externa a que o Brasil estava exposto, que se mostra na esfera comercial, produtiva, tecnológica, monetária, financeira. “A estabilidade do Brasil na verdade é falsa, é uma estabilidade de papel crepom”, disse Reinaldo Gonçalves, professor de economia na UFRJ.

Chegando ao Brasil, a crise financeira foi mais que uma “marolinha”. Atingiu o setor bancário (economia financeira) e também o setor produtivo (economia real), e com tal força que surpreendeu a muitos.  Empresas como a Sadia, Aracruz, Votorantim Papel e Celulose e a Petrobras estão entre as vítimas da desvalorização do real e amargam perdas substanciais.

A Aracruz anunciou prejuízo de R$ 1,9 bilhão nos negócios com o mercado de câmbio e a Sadia o montante de R$ 760 milhões. O grupo Votorantim comunicou ao Banco Central que teve perdas de R$ 2,2 bilhões em operações de câmbio, o maior prejuízo divulgado por uma empresa brasileira desde o início da crise de crédito.

A Petrobras informou que a subsidiária Petrobras Distribuidora já registra perdas de US$ 51 milhões (R$ 118 milhões) com operações de hedge (proteção cambial) para cobrir a comercialização de querosene de aviação (QAV), cujos preços variam de acordo com o valor do petróleo no mercado internacional. A estatal e suas subsidiárias também apresentam perdas de US$ 40 milhões (R$ 92 milhões) com operações envolvendo derivativos de petróleo nas Bolsas de Nova York e Londres.

O número de empresas que enfrentam dificuldades por apostar que o dólar continuaria em queda, de acordo com informações recebidas pelo governo, seria bem mais elevado: estaria entre 220 e 250. Assim mesmo, há quem reclame da falta de transparência por parte das empresas envolvidas na crise. Elas têm “necessidade de se explicar” para que se saiba realmente o que aconteceu com essas “empresas do videogame financeiro” e quem fez “besteiras”.

Em virtude desse número elevado de empresas que vêm sofrendo perdas com a crise, o que tem acontecido com a Sadia, Aracruz e Votorantim poderia ser apenas a “ponta do iceberg”. Ou seja, por trás poderia estar havendo uma eventual “contaminação” do mercado com conseqüências muito mais nefastas para a economia brasileira.

Analisando a situação dessas empresas e a valorização do dólar, o jornalista Vinícius Mota diz o seguinte: "Descobre-se agora que algumas companhias brasileiras, grandes e médias, estavam com os dois pés enfiados na jaca da farra dos derivativos. Exportadoras, não se contentaram em proteger sua receita contra oscilações cambiais. Quiseram ganhar uma grana fácil, apostando em que o real iria ficar para sempre valorizado. O dólar empinou-se, e o prejuízo fez boom. Agora essas empresas compram dólar desesperadamente e jogam a cotação da moeda americana para as alturas".

O setor automobilístico também já deu sinais de que a crise financeira bateu às portas. Várias montadoras – entre elas a Fiat (Minas Gerais) e a General Motors (Rio Grande do Sul) – já pisaram no freio ao suspenderem temporariamente a produção de veículos. Com a crise, o crédito ficou mais caro e escasso e as vendas começam a despencar. E os trabalhadores já começam a se preocupar com a possível perda de seus empregos.

O governo, por sua vez, para controlar a crise internacional, anunciou medidas que poderão injetar R$ 64 bilhões na economia, dando mais crédito e liquidez ao mercado. Dias depois, o montante do “pacote” à brasileira para amenizar os efeitos da crise internacional no País já chegou a pelo menos R$ 75,28 bilhões. A súbita elevação do dólar na semana passada fez com que o Banco Central injetasse entre US$ 3 bilhões e US$ 3,5 bilhões das reservas internacionais para segurar a desvalorização do real. Dessa maneira, o órgão queimou parte das reservas internacionais para acalmar o mercado.

O Proer de Lula

O presidente Lula disse, certa vez, quando os bancos brasileiros ou com atuação no país estavam obtendo lucros astronômicos, que preferia que fosse assim a ter que fazer um novo Proer (Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Fortalecimento do Sistema Financeiro Nacional) para eles. Os bancos lucraram e agora estão recebendo algo parecido a um novo Proer. Só para refrescar a memória: o Proer foi lançado pelo ex-presidente Fernando Henrique, em 1995, para enfrentar uma crise bancária, que foi muito criticado pelo PT e pelo próprio Lula, então na oposição.

No dia 06 de outubro, o presidente Lula editou a Medida Provisória 442, que permite, entre outras coisas ao Banco Central oferecer empréstimos de redesconto a pequenos bancos com base em garantias não apenas de títulos públicos federais. Com outras palavras, a MP autoriza o BC a comprar carteiras de crédito de instituições financeiras em dificuldades, por meio de uma linha de empréstimo chamada redesconto.

A MP, segundo analistas, é um sinal claro de que o BC não vai deixar nenhum banco brasileiro balançar. Não vai se arriscar a fazer o teste “vamos deixar o sistema se virar”, como fez inicialmente os Estados Unidos, levando o Lehman Brothers a quebrar e aprofundando dramaticamente a crise mundial.

Ou seja, se o socorro do Banco Central (BC) aos bancos, nas operações especiais de redesconto ou na garantia de operações de empréstimos em moeda estrangeira resultar em prejuízo, ele será repassado ao Tesouro Nacional.

A Caixa Econômica Federal (CEF) deve desembolsar mais de R$ 1 bilhão na operação de compra de carteiras de empréstimos de bancos menores. A CEF tem um caixa de R$ 100 bilhões à disposição. A instituição está perto de concluir a compra de 20 carteiras de empréstimos de cerca de dez bancos pequenos e médios.

A diferença entre o Proer de Fernando Henrique e o de Lula, segundo os especialistas consultados, é que da MP 442 é preventivo, ou seja, estabelece regras para que o BC evite a quebra de bancos. O Proer de Fernando Henrique foi adotado quando os bancos já haviam quebrado.

Uma das chaves para se entender a “fria” em que empresas e bancos se meteram refere-se aos chamados derivativos, um tipo de operação financeira de alto risco. Com fartura de capital à disposição, dólar em queda prolongada e acirrada competição entre as instituições financeiras, bancos passaram a oferecer derivativos (aplicações que jogam com as cotações futuras) para as empresas exportadoras, por meio de contratos bilaterais e pouco transparentes. Trata-se de operações usuais e defensivas quando o objetivo é proteger-se (hedge) contra a valorização do real, que diminui a receita doméstica dos exportadores.

Como é típico das bolhas capitalistas, o ambiente de euforia levou algumas dessas companhias a dar um passo além. Foram ao ataque na tentativa de aumentar seu faturamento financeiro e, para tanto, apostaram na manutenção do real valorizado. Como o cenário se alterou bruscamente e o dólar se valorizou depressa, as perdas nas tacadas especulativas começaram a se acumular. Para desfazer-se da arapuca, as firmas atingidas começaram, então, a comprar dólares em ritmo alucinado, o que ajuda a explicar a explosão da taxa de câmbio nos últimos dias.

A existência dessa prática financeira mostra que também no Brasil a especulação era uma realidade e que agora mina a confiança do mercado obrigando o governo a intervir, com recursos públicos, para acalmar os ânimos do mercado, cuidar da “saúde” do bancos e evitar uma derrocada total.

Como se pode ver, a crise financeira internacional já desembarcou no Brasil. “O Brasil já foi atingido pela crise de alguma maneira, pois a bolsa de valores caiu violentamente, o real se desvalorizou, a taxa de câmbio subiu, e as empresas brasileiras que têm empréstimos no exterior estão com muitas dificuldades de renová-los. Assim, a reserva internacional brasileira começou a diminuir”, analisa Carlos Lessa. Segundo o economista, a euforia de Lula no começo da crise tinha um objetivo: “passar a idéia de tranqüilidade, mas tem medo de uma mudança na classificação de risco brasileiro, o que agora seria uma coisa muito ruim para o país”.

Para Lessa, a crise já comprometeu o crescimento econômico do País em 2009. “Os 5% que o Brasil cresceu em 2007 e 2008 ficarão na história como um ‘vôo de galinha’. 2008 já está comprometido por uma razão muito simples: os empresários sabem ler os sinais, e vão reduzir os projetos de investimentos. Por outro lado, duvido que seja possível manter o crescimento explosivo de vendas a credito às famílias brasileiras. Elas se endividaram de maneira assustadora nos últimos dois anos, e, agora, como vão segurar o pagamento de suas prestações com os juros subindo?”, avalia Lessa.

Pobreza e desemprego devem aumentar

A crise financeira internacional deve afetar a ricos e pobres de maneira diferente. Ainda que algum banqueiro decrete falência ou algum empresário feche as portas de sua fábrica, dificilmente dormirá ao relento. Igual sorte, entretanto, não terão os pobres no mundo, na América Latina e no Brasil. Esses serão mais duramente atingidos em suas condições de sobrevivência.

Um primeiro indicativo de que a crise terá conseqüências mais adversas para os pobres é o fato de que, especificamente no caso brasileiro, as contratações temporárias que costumeiramente se dão nesse período do ano estão sob ameaça. Além disso, as projeções para 2009 são de aumento do desemprego. A crise financeira nos Estados Unidos atingiu também seu vizinho ao sul, o México. Há estimativas do governo mexicano de que aproximadamente 200 mil “chicanos” – como são chamados os migrantes mexicanos nos Estados Unidos – deverão fazer o caminho inverso nos próximos 12 meses, complicando ainda mais a situação do emprego no México.

Esses dados particulares nada mais são do que indicativos do aumento do desemprego que deverá ocorrer no mundo todo. Estimativas da Organização Internacional do Trabalho (OIT) apontam para um aumento do número de desempregados no mundo de 5 milhões, soma que, dependendo do aprofundamento da crise, poderá ser ainda maior. De acordo com Juan Somavia, diretor-geral da OIT, a desaceleração da economia mundial produzirá “mais desemprego no mercado formal. E mais precariedade no mercado informal”.

Somavia denuncia o fato de que os governos estão muito centrados na crise financeira. E faz um apelo: “Trabalhadores, suas famílias e comunidades têm tanto direito de serem salvos desta crise quanto as instituições financeiras que, finalmente, nos colocaram nesta confusão”. Em vista disso, demanda uma série de políticas com vistas a proteger os trabalhadores: proteções sociais para os desempregados, a expansão da demanda local, atenção às pequenas empresas, que são grandes geradoras de empregos, maior atenção às forças democráticas das sociedades em detrimento do livre mercado, supremacia do trabalho sobre o capital... “O trabalho não é uma commodity. O trabalho é fonte de dignidade, estabilidade da família, da casa e de paz na comunidade. Não se pode tratar o trabalho como uma mercadoria!”, enfatiza Somavia.

Com a crise financeira, os países emergentes deixarão de receber, segundo estimativas do Instituto de Finanças Internacionais (IIF, na sigla em inglês), que reúne os principais bancos mundiais, cerca de 130 bilhões de dólares em 2008. Para o próximo ano, as projeções são ainda piores: o IIF prevê que os fluxos líquidos devem ficar em US$ 562 bilhões, cerca de US$ 60 bilhões abaixo da estimativa para 2008, representando um retorno em direção ao nível de 2006 (de US$ 565 bilhões). O principal canal do enfraquecimento corrente é o forte declínio nos empréstimos líquidos interbancários, disse o IIF.

A crise financeira, na esteira da crise do aumento dos preços dos alimentos e do petróleo, significará um retrocesso nos esforços de diminuição da pobreza no mundo. Pelo contrário, pelo menos 100 milhões de pessoas voltarão à pobreza este ano, cifra que poderá aumentar ainda mais. “Os grupos mais pobres e vulneráveis correm os riscos mais sérios de sofrer mais com essas crises. Em alguns casos, os danos poderão ser permanentes”, advertiu o presidente do Bird, Robert Zoellick.

Os países da América Latina serão afetados de maneira distinta pela crise financeira em andamento. Em princípio, a América Central será atingida de maneira acentuada por conta da presença maior de bancos americanos. O México sofrerá com a cotação menor do petróleo e a queda nas exportações aos EUA. O Brasil, a Argentina, o Chile e o Uruguai serão atingidos pelo declínio dos preços das commodities agrícolas e minerais. Mas, passado o turbilhão, tenderão a colher mais facilidades ao buscar captações no exterior. Países que adotaram um receituário menos ortodoxo, apoiado em políticas públicas avessas ao capital estrangeiro sofrerão, o que seria o caso da Venezuela.

Os países que se alinham politicamente à Venezuela, o Equador e a Bolívia, sofrerão ainda mais. “Se o Equador existir ou não, isso nunca será um problema para o Brasil, a Argentina e o Chile”, afirma o embaixador José Botafogo Gonçalves, presidente do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri).

O espectro da pobreza deverá rondar a América Latina ainda por um bom tempo. Segundo estimativas da Cepal, em 2009, a pobreza deverá crescer 3 pontos percentuais na região, atingindo 38% da população latino-americana.

Essa crise é reveladora de muitas coisas, como temos mostrado nesta e em análise anterior sobre o tema. Ela descortina ainda um outro aspecto não menos intrigante: com que rapidez os governos dos países ricos e alguns emergentes obtêm bilhões de dólares para salvar o sistema financeiro, mas não conseguem menos dessas metades para tirar os pobres da miséria ou para acabar com várias doenças no mundo. Seria por falta de idéias ou de vontade política, pergunta Oded Grajew, presidente do Conselho Deliberativo do Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social. “O problema é a falta de vontade política da maioria dos governantes”, responde.

As metas dos Objetivos do Milênio, uma iniciativa da ONU para acabar com a fome e a pobreza no mundo, estão longe de serem alcançadas por esse mesmo motivo. “Dois bilhões de pessoas vivem abaixo da linha da pobreza no mundo. A ONU estima que aproximadamente US$ 150 bilhões anuais seriam necessários para atingir os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM). Estabelecidos em 2000, prevêem para 2015 acabar com a fome e reduzir drasticamente a pobreza, as mazelas sociais e a degradação ambiental. Nem a metade dos recursos necessários foi até agora arrecadada. Conseqüentemente, prevê-se que as metas não serão atingidas”, escreve Oded.

A crise financeira e a política nacional

Em nossa análise especial sobre o balanço das eleições municipais, destacamos que o cenário das eleições presidenciais de 2010 dependerá muito do desfecho da atual crise, particularmente da sua incidência sobre a economia real.

Como a análise comenta, é inegável que um dos vitoriosos das eleições municipais de 2008 foi Lula, considerando-se que a sua base de apoio conquistou uma vitória arrebatadora nas urnas. Destacamos, ao mesmo tempo, que essa vitória precisa ser matizada por uma série de razões descritas na análise. Uma constatação importante, porém, é que o bom desempenho dos candidatos da base de apoio ao governo, e até mesmo da oposição, surfaram no boom econômico.

O boom econômico, o sentimento de que a vida melhorou com o crescimento econômico do país, associado a obras, mesmo que pequenas, que deram visibilidade as administrações municipais ajuda na explicação do alto índice de reeleição de prefeitos. 

Os altos índices de popularidade de Lula estão associados ao desempenho da economia, assim como o papel de “conciliador” que o presidente desempenha no arranjo da política institucional. Como diz José Múcio Monteiro, ministro de Relações Institucionais: “Se o presidente Lula não tivesse 70% de popularidade, seria impossível administrar essa base de 14 partidos.

A questão de fundo é saber o grau da gravidade com que a crise econômica afetará a economia nacional – como já vimos há elementos que revelam a gravidade da crise junto ao país. Dependendo do seu tamanho e extensão, a popularidade de Lula poderá sofrer sérios danos.

Lembremos que o governo Lula rendeu-se à lógica economicista e o seu modelo desenvolvimentista revela-se cada vez mais dependente do mercado. O Estado, agente indispensável no modelo desenvolvimentista no governo Lula, coloca-se a serviço da lógica do mercado e não como instrumento de correção das distorções estruturais da sociedade brasileira. No máximo o que se tem do Estado como agente de intervenção social são programas de mitigamento da miséria, como o Bolsa Família.

Grosso modo, as pessoas estão sendo incluídas na sociedade via mercado de consumo, mas não necessariamente incluídos do ponto de vista da substancial melhoria da qualidade de vida. O risco é ao mesmo tempo em que se vêem shoppings cada vez mais cheios, permanecerem as filas dramáticas nos postos de saúde, a educação pública de qualidade crítica, os problemas de saneamento irresolvíveis. Essa inclusão vem se dando através do farto crédito no mercado que permite as pessoas expandirem o seu consumo. Basta lembrar o boom do mercado de carros.

A questão fulcral é que a crise pode desmontar a inclusão via mercado e despertar sentimentos de frustração o que acarretará contestação ao governo de plantão. O ponto forte de Lula, a economia, pode se tornar o seu ponto vulnerável. Como lembra Gaspari: “Nos útimos 20 anos todos os governos que fizeram (ou tiveram que fazer) maxis capotaram na sucessão presidencial. O mesmo aconteceu no Argentina, México e Chile”.

Conjuntura da semana em frases

Crise econômica mundial

“Lá, ela é um tsunami; aqui, se ela chegar, vai chegar uma marolinha que não dá nem para esquiar” – Luiz Inácio Lula da Silva, presidente da República, referindo-se à crise financeira – O Globo, 05-10-2008.

“A sociedade não pode ter dúvida da gravidade da crise e não podemos deixar margem a dúvidas, mostrando que estamos tomando as medidas que têm de ser tomadas” – Luiz Inácio Lula da Silva, presidente da República, na reunião do Conselho Político, ontem, segundo relato do deputado Uldurico Pinto (BA), líder do PMN – O Estado de S. Paulo, 07-10-2008.

“Não temos mais ilusão. Os países em desenvolvimento serão afetados pela desaceleração global” - Guido Mantega, ministro da Fazenda – O Estado de S. Paulo, 13-10-2008.

“Com a crise financeira, Henrique Meirelles assumiu, na prática, o comando da economia brasileira no lugar de Guido Mantega. Tudo sem traumas” – Ancelmo Gois, jornalista – O Globo, 11-10-2008.

“Cada vez mais, os chineses serão os donos do mundo, pois estarão convertendo suas reservas de dólares e seus títulos do governo americano em ativos e bens reais” - George Soros, O Estado de S.Paulo, 14-10-2008.

“O velho Adam Smith estava certo, a economia é uma ciência moral. A moralidade pode ter duas origens: a auto-moralidade, que é aquela hipótese do Adam Smith do observador imparcial, ou, então, o Estado controla essa moralidade, que é o que vai acontecer agora” – Antonio Delfim Netto, economista, ex-ministro dos governos militares – O Estado de S. Paulo, 05-10-2008.

“É dizer para eles (banqueiros): olhem aqui, vocês podem até empoçar o dinheiro que vocês têm aí, mas só que vocês vão pagar um preço caro. Eles (do BC) têm competência para isso, só não têm ideologia” - Antonio Delfim Netto, economista, ex-ministro dos governos militares, dizendo que esta seria a política correta, neste momento, do BC – O Estado de S. Paulo, 05-10-2008.

“Há na praça US$ 531,2 trilhões de contratos de derivativos. Grosso modo, uns 500 "Brasis". Em 2002, o total era de US$ 106 trilhões. Não se sabe exatamente o quanto, mas uma parcela gigantesca desses papéis não vale nada” – Fernando Rodrigues, jornalista – Folha de S. Paulo, 11-10-2008.

“(Os US$ 700 bilhões do pacote americano) é "toda" (sim, toda) a produção nacional de carros, desde os anos JK até os dias de hoje. Se todos os carros já produzidos no Brasil nestes 50 anos fossem vendidos hoje (a preços de hoje), os US$ 700 bilhões seriam suficientes para comprar "todos" eles, e ainda sobrava troco. Supondo que os 190 milhões de brasileiros formassem 63 milhões de famílias (um pai, uma mãe e um filho), esses US$ 700 bilhões poderiam colocar um carro popular na garagem de cada uma de "todas" as casas do Brasil!" – Luiz Mendonça, leitor do jornal – Folha de S. Paulo, 10-10-2008.

“Brasileiro pode até entrar em pânico, mas não perde o bom humor. Ontem, operadores de mesa avaliavam que o mercado está bem pior que divórcio. Além de perder metade do seu patrimônio, você ainda fica com a mulher...” – Sonia Racy, jornalista – O Estado de S. Paulo, 11-10-2008.

“Essa é a melhor definição da crise americana: TODO GALO TEM SEU DIA DE CANJA!” - José Simão, humorista – Folha de S. Paulo, 08-10-2008.

“Os pregões em chamas arruinaram um dos “programas” do governo Lula — o Bolsa Miami, versão classe média do Bolsa Família. É aquele que, por causa do dólar barato, levou caravanas rolideis de brasileiros em direção ao “comprismo” de Miami e aos parques da Disney. Em um mês, o dólar subiu 30,59%. Mickey deve estar inconsolável...” – Ancelmo Gois, jornalista – O Globo, 12-10-2008.

Eleições 2008

“Se o presidente Lula não tivesse 70% de popularidade, seria impossível administrar essa base de 14 partidos” - José Múcio Monteiro, ministro de Relações Institucionais – O Estado de S. Paulo, 10-10-2008.

"O resultado da eleição consolida o PMDB como partido regulador do sistema político brasileiro. O PT terá de trabalhar duro para mantê-lo na coalizão em 2010” – Tarso Genro, ministro da Justiça, sobre o bom desempenho do partido aliado no primeiro turno das eleições municipais – Folha de S. Paulo, 12-10-2008.

“De todos os grandes partidos, o PMDB é o que mais se aproxima da lógica do que vem a ser um partido tradicional: é altamente regionalizado; dos seus votos nas bases municipais depende sua força nacional; dos favores obtidos na órbita federal depende a sua posição regional. Essa é a lógica de sua sobrevivência” – editorial do Valor, 14-10-2008.

Marta Suplicy é da linhagem de Margaret Thatcher, Hillary Clinton e Condoleezza Rice, que reproduzem o comportamento masculino no poder. Diferente de Sarah Palin (vice do candidato John McCain), que faz política de forma feminina. Nada me encanta em relação ao pensamento dela, mas como mulher ela é fantástica. É a primeira líder do mundo moderno que não quer ser um homem” - Jorge Forbes, psicanalista, presidente do Instituto de Psicanálise Lacaniana – O Estado de S. Paulo, 05-10-2008.

 “É difícil as pessoas sentirem empatia pelo Kassab. Ele é muito certinho... Por outro lado, há nele uma coisa infantil muito forte. Kassab tem cara limpa de menino grande, com olhos de curiosidade para o mundo” - Jorge Forbes, psicanalista, presidente do Instituto de Psicanálise Lacaniana – O Estado de S. Paulo, 05-10-2008.

"São Paulo foi antigetulista, agora é antipetista, um lugar onde Lula continua tendo dificuldades" - Argelina Figueiredo, professora do Iuperj (Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro) e pesquisadora do Cebrap (Centro Brasileiro de Análise e Planejamento) – Folha de S. Paulo, 07-10-2008.

“A crise vai conduzir o Serra a ser candidato à Presidência. E a reeleição de Kassab tornará a coligação entre o PSDB e o DEM inevitável” – Cláudio Lembo, ex-governador de São Paulo – DEM – Valor, 13-10-2008.

"Os donos do Ceará [como chama Tasso e Ciro], que achavam que Fortaleza tinha quee ser recuperada para manterem seu status quo, viram que não é tão fácil assim, que Fortaleza é a princesa rebelde do Brasil” – Luziane Lins, prefeita eleita de Fortaleza – PT, que venceu o já no primeiro turno, derrotando candidatos apoiados por Tasso e Ciro – Folha de S. Paulo, 07-10-2008.

“A Bahia é emblemática acerca de como o PMDB faz política. É de lá o ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima - peemedebista histórico, ex-quase cassado pela CPI dos Anões do Orçamento, ex-adorador de FHC e hoje pró-Lula desde criancinha. Em 2004, o PMDB era raquítico em solo baiano. Elegeu só 20 prefeitos. Geddel então converteu-se ao lulismo. A legenda inchou para 57 municípios governados na Boa Terra. Apurados os votos, saltou para 113” – Fernando Rodrigues, jornalista – Folha de S. Paulo, 08-10-2008.

“Jaques, nem preciso dizer com quem fico entre o Geddel e você. Mas eu não quero briga com o PMDB” – Lula a Jacques Wagner, governador da Bahia – PT – O Globo, 11-10-2008.

“Mais do que uma derrota do governador Aécio Neves e do prefeito Fernando Pimentel, foi uma derrota da tese da aliança nacional entre PT e PSDB” - José Roberto Arruda, governador do DF – O Globo, 09-10-2008.

“Não há como negar que a candidatura do Gabeira é ecológica. Salvou os tucanos do Rio de extinção” - Chico Alencar, deputado federal  - PSOL-RJ – O Globo, 10-10-2008.

“Na verdade, creio que o ‘petismo’ e o ‘lulismo’ podem até convergir em momentos ou em lugares específicos mas, no fundo, são forças cada vez menos coincidentes” - Paulo Roberto Figueiredo, professor da Universidade Federal de Juiz de Fora – O Globo, 11-10-2008.
 
É casado?

“O ‘é casado, tem filhos?’ não foi escorregão, é estratégia. Preconceituosa e burra. Não ganha eleitores à direita e perde apoios, votos e simpatia à esquerda. Além de desagregar a militância e transformar o adversário em vítima” – Eliane Cantanhêde sobre a propaganda de campanha de Marta Suplicy questionando se Gilberto Kassab, do DEM, é casado e tem filhos, Folha de S.Paulo, 14-10-2008.

"Ficamos perplexos. Eu acho que quem teve essa idéia infeliz dialogou com o senso comum, cometeu um equívoco eleitoral. Então os gays casados, ou lésbicas, não podem ser bons políticos?" - Julian Rodrigues, do Setorial Nacional LGBT do PT, Folha de S.Paulo, 14-10-2008.

"Entendo que a Marta esteja magoada com tudo o que foi feito com a sua vida pessoal. Foram ataques de uma crueldade e de uma falta de ética realmente muito grande. Mas isso é mais um motivo para ela não fazer o mesmo” - Maria Victoria Benevides, socióloga, Folha de S.Paulo, 14-10-2008.