CARTA DA 5ª ASSEMBLEIA NACIONAL ZILDA XAVIER

 "Os que virão serão povo e saber serão, lutando”, Thiago de Mello

Na cidade de Fortaleza (CE), reunidos entre 13 e 17 de novembro, no mês da Consciência Negra, e também do assassinato do comandante Marighella, nós, 850 lutadoras e lutadores do povo, vindos de 24 estados do Brasil, realizamos nossa 5ª Assembleia Nacional Zilda Xavier, na qual reafirmamos a construção da luta no seio do povo e a necessidade de unidade das forças democráticas e populares em torno de um projeto estratégico de poder.

Denunciamos que o governo ilegítimo de Temer e as forças golpistas aplicam o receituário do capitalismo financeiro internacional: desmantelamento do Estado democrático; perdas de direitos da classe trabalhadora; privatização dos bens da natureza e das empresas públicas; subordinação à política externa dos EUA.

Reconhecemos a importância das conquistas no período de governos anteriores, porém apontamos que o poder e a política devem se pintar de povo, de consciência, de pertença da classe trabalhadora à organização popular, para construir força social rumo a um Estado sob hegemonia da classe trabalhadora.

Somos construtores e construtoras do Projeto Popular para o Brasil, projeto de país que resolva os problemas do povo brasileiro, via reformas estruturais e de base. Trabalhadores, mulheres, LGBTs, camponeses, negros e negras, juventude, setores médios e democráticos se reconhecerão nesse projeto. O momento de polarização política entre as classes sociais reforça sua atualidade.

A Frente Brasil Popular, mais que um espaço de resistência contra o golpe, é lugar de coesão e unidade de todas as forças democráticas e populares, de defensiva e resistência, mas soprando o vento de um novo ciclo de avanço de nosso povo contra a entrega da nação. Com o exemplo pedagógico das lutadoras e lutadores do povo, a Frente também é raiz a se espalhar em cada cidade.

Sabemos que as eleições de 2018 vão refletir a polarização da luta de classes e não mediremos esforços no sentido de defender a candidatura de Lula, de modo que o governo popular se comprometa com a convocatória de uma Constituinte, inaugurando uma nova constitucionalidade, marcada pelos interesses do povo, para que os direitos da população sejam restituídos. Enfim cumprindo a tarefa histórica, ainda inconclusa, de democratização do país.

Respiramos, nesses cinco dias, a simbologia revolucionária, ao recordar o legado da dirigente Zilda Xavier. A homenagem a líder feminista e revolucionária é um convite a buscar na luta contra a ditadura militar força para os novos desafios: a ousadia, a capacidade organizativa de Zilda, a confiança política, a ação forjando o instrumento político. Este é o rio da História no qual nossa vela se sustenta. Nosso caminho é de dores, mas de alegrias e de mística revolucionária.

Nesses vinte anos, reafirmamos nossos compromissos com a soberania, sustentabilidade, democracia, solidariedade, desenvolvimento e feminismo enquanto nossos princípios.

Plantamos, em conjunturas difíceis, a flor e o caule da revolução brasileira, que não se rompe diante de conjuntura de cerco e ataques por parte dos inimigos do povo. Saímos da Assembleia fortalecidos em unidade, lealdade, nos princípios do internacionalismo e solidariedade entre os povos. Com energia para a construção de um projeto: Somos Projeto Popular!

Marchar, lutar, somos a Consulta Popular!

Pátria Livre, Venceremos!

Fortaleza, 17 de novembro de 2017.