ENQUANTO NÃO HÁ JUSTIÇA, HÁ ESCRACHO POPULAR!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Cerca de 70 pessoas, na maioria jovens, realizaram hoje um protesto em Copacabana, Zona Sul da cidade do Rio de Janeiro, contra o General Nilton de Albuquerque Cerqueira, em frente à sua casa, na Rua Constante Ramos, 56 / apt 402.


O ato tinha o objetivo de denunciar que este foi mais um dos muitos agentes do Estado que participaram de sessões de tortura e promoveram assassinatos de brasileiros que lutavam contra a Ditadura Civil-Militar instaurada, à época, no país. Os manifestantes promoveram um escracho público, apontando para todos que por ali passavam todas as ações do General Nilton, enquanto atuou no Regime Militar.

O General Nilton de Albuquerque Cerqueira foi um dos que comandaram as operações que levaram ao assassinato de Carlos Lamarca e outros muitos militantes do Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8), como Zequinha Barreto. Nilton Cerqueira foi também comandante da Polícia Militar no período em que ocorreu o episódio que ficou conhecido como “Atentado ao Riocentro”. No dia 1 de maio de 1981, setores descontentes do Serviço de Informação do Exército fizeram uma tentativa de jogar bombas no Riocentro, local onde mais de 10 mil pessoas comemoravam o Dia do Trabalhador em um show. O atentato não teve o resultado esperado por aqueles que o planejaram, mas foi decisivo para mostrar para a sociedade brasileira quem eram os terroristas de verdade, que planejavam mortes e horror por todo o país. Por este episódio, Nilton e outros militares respondem atualmente a processos no Ministério Público Federal, podendo ser julgado e condenado. Além disso, após o fim da ditadura, Nilton Cerqueira seguiu livre e atuante na Polícia Militar, inclusive chegando a ser nomeado Secretário de Segurança do Estado do Rio de Janeiro em 1995, sendo um dos que contribuíram para o fortalecimento da Polícia Militar fluminense como aparelho repressor e de tortura, seja nas favelas ou periferias ou nas manifestações políticas que desde o ano passado se intensificaram na cidade.

50 Anos do Golpe Militar no Brasil

Em 2014 completa-se 50 anos do Golpe Militar, que deu início a um dos períodos mais sombrios da história de nosso país. Foram 21 anos – de 1964 a 1985 – em que o povo brasileiro foi privado de seus direitos democráticos e onde vimos serem mortos, torturados, sequestrados, desaparecidos aqueles que ousaram lutar pela liberdade. Até hoje os agentes da Ditadura Civil-Militar responsáveis por esses crimes continuam impunes.

A atuação das Comissões Nacional e Estadual da Verdade tem sido importantíssima para o desvelamento desses crimes e para que o povo brasileiro tenha sua História conhecida. E é em momentos como esse, em que se coloca na rua que mostram que tem acompanhado de perto esses processos e que exige a Justiça.