Nota de Pesar: Margareth! Presente!


Nós do movimento popular e da esquerda pernambucana, perdemos nesta madrugada uma grande companheira. Abriu-se uma imensa lacuna em nossa luta e em nossas vidas quando acordamos surpreendidos pela triste notícia do falecimento da companheira Margareth. 

Não era um quadro em evidência, à frente dos palanques ou das mesas de debates, ao contrário, era daquelas figuras históricas perenes, que trabalham no silêncio por décadas, na retaguarda, nos cuidados, no suporte que sustenta organizações, grupos. Uma energia viva, quente, que explodia na indignação contra as injustiças e no trabalho com o povo. Era, como ela mesma dizia, uma mulher de partido, Comunista, Marxista-Leninista, Revolucionária. 

Margareth Albuquerque, militou no MNU - Movimento Negro Unificado, no Partido dos Trabalhadores, na Frente Brasil Popular, em movimento de bairro e há mais de 15 anos construía o MTC (Movimento dos Trabalhadores Cristãos), em Recife, levando até os seus últimos dias a tarefa que assumiu quando engrossou as fileiras de jovens trabalhadores, "compromissados com uma evangelização transformadora, que desde o final da década de 50, busca organizar e propagar um grito de denúncias das dores e humilhações sofridas pela classe operária e um clamor por transformações radicais, principalmente nas regiões mais pobres, chamadas de subdesenvolvidas do mundo, expostas à exploração do Capitalismo Internacional". 

Assim, ela esteve à frente da construção do Grito dos Excluídos, da Semana da Classe Trabalhadora e de todas as lutas travadas pelo povo. 

Margareth nossa doce, brava, guerreira, amiga e companheira, partiu hoje, como esteve na vida: lutando. Lutando contra a doença que atingia seu coração e contra o golpe que atingia seu povo. Margareth esteve presente em todos os atos de enfrentamento ao golpe, se arretava e se animava com cada luta travada, e se foi empunhando a bandeira da democracia e da liberdade do povo.

Que nossa saudade se transforme em convicção, força e coragem para continuar a caminhada no seu exemplo de luta. 

 

"...E não há melhor resposta

que o espetáculo da vida:

vê-la desfiar seu fio,

que também se chama vida,

ver a fábrica que ela mesma,

teimosamente, se fabrica,

vê-la brotar como há pouco

em nova vida explodida;

mesmo quando é assim pequena

a explosão, como a ocorrida;

mesmo quando é uma explosão

como a de há pouco, franzina;

mesmo quando é a explosão

de uma vida severina."

 

(Morte e Vida Severina)

João Cabral de melo neto

 

Consulta Popular

Recife, 11 de Junho de 2018