Nota de solidariedade ao presidente Lula e contra o Estado de Exceção

A história do nosso país é marcada pelo caráter antipopular, antidemocrático e antinacional das classes dominantes, que nunca toleraram que o povo brasileiro tomasse as rédeas dos destinos da Nação. Indígenas, escravos negros, camponeses e trabalhadores que não se submeteram ao projeto de exploração do nosso povo e submissão do país ao imperialismo foram reprimidos, perseguidos e mortos.

A luta de classes no país se intensificou com o aprofundamento da crise econômica, que teve como resultado o golpe contra a presidenta Dilma Rousseff para limpar o terreno para a implementação do programa neoliberal.

A desmoralização do sistema político, dos partidos, dos governos e do Congresso Nacional criou uma fenda entre a classe dominante e seus representantes políticos, abrindo espaço para a alta classe média que ocupa os principais postos da burocracia do Estado, especialmente do Poder Judiciário, se colocar como porta-vozes dos setores mais conservadores da sociedade.

A eleição presidencial de 2018 tem centralidade na luta política para as forças golpistas que não querem correr o risco de perder o governo federal. Querem avançar na aplicação de um programa radical de reformas neoliberais que destroem as conquistas da Constituição de 1988.

A decisão do juiz Sérgio Moro de condenar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em um processo político sem provas, baseado em delações premiadas e sustentado pela cobertura manipulada da TV Globo, atende aos objetivos da classe dominante, que precisa retirar da disputa eleitoral a maior liderança popular do país, que representa objetivamente uma ameaça ao projeto neoliberal em curso.

Lula é mais do que um presidente que fez um governo que, em composição com frações da burguesia, desenvolveu políticas que melhoraram a vida de milhões de brasileiros, mesmo mantendo as altas taxas de lucro do grande capital. É um símbolo da luta pela democracia, pela cidadania política e social.

A aprovação da reforma trabalhista no Congresso Nacional e a condenação do presidente Lula fazem parte do golpe em curso. Por um lado, um duro golpe nos direitos trabalhistas, por outro, uma condenação com o objetivo de restringir o direito de representação da classe trabalhadora na luta eleitoral.

A Consulta Popular se solidariza com Lula e conclama todos os lutadores do povo a se somarem às manifestações da Frente Brasil Popular contra essa ação política do Poder Judiciário, que representa o avanço do Estado de Exceção.

Não admitimos a perseguição ao Lula, que tem como objetivo tirar da luta política a principal liderança do campo popular, enfraquecer as organizações de trabalhadores e apagar da memória do povo a experiência de um governo progressista, diminuindo a resistência à implementação de um programa antipopular e antinacional.

DIREÇÃO NACIONAL DA CONSULTA POPULAR