Nota Pública: intervenção no RJ não resolve os problemas do povo

 

 

 

 

A intervenção federal no Rio de Janeiro é um balão de ensaio perigoso nos marcos do Golpe. Em apenas dois dias, a Câmara dos Deputados e o Senado aprovaram o decreto de intervenção.  Trata-se de uma ação autoritária, no interior do próprio golpismo, para tentar recuperar alguma margem de manobra.

Um governo Temer desgastado, com a missão de aplicar medidas neoliberais e desmontar o Estado brasileiro, demonstrou incapacidade para um dos principais ataques que é o desmonte da previdência. O impasse momentâneo quanto à previdência se deve à rejeição da população e, por sua vez, à resistência das jornadas de luta convocadas pela Frente Brasil Popular desde 2017. 

O Golpe de Estado no Brasil tem cada vez menos legitimidade. Em situação normal seria derrotado nas urnas. Por essa razão, o central para os golpistas continua sendo inviabilizar a candidatura de Lula, realizando todo o tipo de manobra por meio do Executivo, do Judiciário e do Congresso. Então, é nessa hora que a medida de força do Exército se colocou. A ação de Temer se configura como um remendo mal feito e oportunista, frente à demanda legítima do povo carioca e à preocupação com a segurança pública. A ação quer resolver impasses do golpe de Estado cada vez mais rejeitado. Os presídios seguem em condições caóticas. A Justiça segue ligeira com o povo e dormindo com as elites. Ao contrário do período anterior, o desemprego e a quebra da indústria nacional colocam os jovens sem perspectiva.

A postura partidária do Judiciário se volta cada vez mais contra os direitos do povo. O que está por trás é o combate contra a revolta da população, afinal, políticos como Aécio Neves e o próprio Temer seguem impunes. A repressão ao povo é uma necessidade do Golpe, inclusive porque o Carnaval foi um termômetro importante da rebeldia e da insatisfação com o governo. A intervenção federal no Rio de Janeiro cria contexto favorável às ações estadunidenses na Venezuela. O governo brasileiro e a rede Globo cada vez mais buscam desgastar o governo eleito de Nicolás Maduro. 

A contradição para a sequência do golpe é arcar com o risco político. Inviabilizar Lula, nesse contexto, torna explícita a ausência de saídas institucionais no país. Seguimos convocando trabalhadores, trabalhadoras e setores progressistas da sociedade a se somar às lutas contra o governo Temer, pela democracia e pelo direito de Lula ser candidato. Convocamos também à construção do Congresso do Povo, elevando a capacidade de reação da população para a construção de um Projeto Popular para o Brasil.

Pátria Livre, Venceremos!