Povo nas ruas contra o golpe

Estamos em um momento crítico em nosso país. Todos os dias há notícias de que o homem que ocupa o terceiro lugar de mais poder no Brasil (a presidência da Câmara dos Deputados) está envolvido em esquemas de corrupção, lavagem de dinheiro com contas ilegais na Suíça... Fora o uso do seu cargo para ameaçar, chantagear e impor suas vontades a outros políticos. Nesta semana, a Polícia Federal fez várias apreensões na casa de Eduardo Cunha, ligando o deputado do PMDB a mais denúncias de corrupção. A Procuradoria Geral da República entrou com pedido de afastamento do deputado, com inúmeras denúncias contra ele.

Cunha liderou neste ano uma grande ofensiva contra os direitos conquistados pelo povo brasileiro: aprovou o projeto de lei das terceirizações, que precariza ainda mais o trabalho de quem não tem de outro lugar de onde tirar o seu sustento; aprovou a redução da maioridade penal, que nada mais é que reforço ao encarceramento dos pobres e negros; e ainda propôs um PL que dificulta o atendimento das mulheres vítimas de violência sexual, reforçando que as mulheres são culpadas da própria violência que sofrem e que não são dignas de atendimento.

Mas o envolvimento de Cunha com escândalos e situações estranhas não é novo. Na década de 1990, ele foi presidente da Telerj, indicado por Fernando Collor. A Telerj era a empresa de telecomunicações do Rio de Janeiro, que, assim como a Telemig aqui de Minas, foi privatizada nesse período. Cunha foi acusado de desvio de recursos da empresa para fins próprios. Já nessa época os trabalhadores e trabalhadoras ecoavam o “Fora Cunha”.

Infelizmente, não para por aí. Esse cidadão também acatou o pedido de impeachment contra a presidenta Dilma, mas ao mesmo tempo fez inúmeras manobras para que não fosse instalada a comissão de ética que julgará sua cassação por quebra de decoro parlamentar. Falemos sério: esse sujeito tem legitimidade para dirigir qualquer processo de apuração de irregularidades seja de quem for? 

O processo de impeachment (instaurado com base em denúncia de crime de responsabilidade contra alta autoridade do poder executivo) é um golpe porque não existem provas de nenhum crime que a presidenta tenha cometido. Dizer isso não é concordar com todas as ações e políticas de Dilma no governo. Por isso é fundamental seguir fazendo o que o povo sempre faz para conquistar direitos: pressão.

Eduardo Cunha, como vários outros deputados e senadores, não estão lá representando o povo brasileiro, mas os interesses das empresas que financiaram suas campanhas e com quem assumiram compromissos de todo tipo.

Nunca foi tão explícita a necessidade de mudança do sistema político. Pode ser que tanta pressão – do povo e de seus colegas, que talvez queiram rifar Cunha – leve à cassação do presidente da Câmara. Mas e depois? E os demais congressistas que fazem uma política nefasta contra os interesses da maioria da população? 

Não há outra saída para o povo brasileiro que não a pressão das ruas. Não podemos deixar que Cunha e seus aliados continuem envergonhando nosso povo e nosso país. As manifestações do dia 16 de dezembro em todo o país foram uma prova de que o povo já sabe disso e não vai ficar quieto assistindo ao desfecho da crise política.