Só a luta é capaz de mudar a vida

O ano de 2015 foi intenso. Desde os primeiros meses, tanto os setores da direita quanto a classe trabalhadora saíram em defesa de seus interesses, cada lado usando as ferramentas que têm. Nessa disputa, chamada luta de classes, fica evidente que o povo trabalhador continua em desvantagem.

Na última semana, o processo de impeachment da presidenta Dilma foi apresentado formalmente ao Congresso Nacional, com o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB), como principal articulador.

Essa cartada foi um ataque direto e sem escrúpulos à democracia brasileira, que é frágil, mas conquistada através de sangue e suor de muitos homens e mulheres.

Cunha representa o que há de mais conservador da direita brasileira. Seu propósito é favorecer os grupos da elite, dos quais ele faz parte, mas que também são os financiadores da sua candidatura.

Para se proteger, Cunha também não mede esforços, uma vez que está sendo investigado pelo governo suíço, por causa de suas contas bancárias, processado pelo Ministério Público por desviar de dinheiro público e acusado pela Comissão de Ética da Câmara Federal de mentir na CPI da Petrobras. Cunha não é flor que se cheire. Nesse sentido, o pedido de cassação do mandato legítimo da presidenta Dilma Rousseff é mais uma peça no tabuleiro do sistema político. Uma jogada que pode fazer com que Cunha se salve na Comissão, pois até agora não há motivo legal, ou algum “crime de responsabilidade”, para impedir que Dilma continue na presidência.

Defender o impeachment agora é encurtar o caminho da retirada dos direitos da classe trabalhadora. É uma afronta à soberania do voto e à legalidade. É uma forma de agilizar a privatização da Petrobras e entregar o petróleo brasileiro de vez para as empresas estrangeiras.

Apesar das políticas sociais e das conquistas que setores populares tiveram nos últimos anos, o governo Dilma se afastou do povo e caiu nas garras da elite golpista, a mesma que defende Cunha, o impeachment e a volta do neoliberalismo. O governo PT foi engolido por sua política frágil de conciliação de classes. Basta ver a aliança com o PMDB, que virou piada depois da carta imatura do vice Michel Temer.

As ferramentas que restaram à classe trabalhadora, sobretudo a capacidade de se organizar coletivamente e se manifestar, estão sendo bem utilizadas. Nunca antes na história deste país houve tantas mobilizações. Sindicatos, movimentos, mulheres e estudantes secundaristas deram um show em todo o Brasil e mostraram que só a luta é capaz de mudar a vida. Nesse sentido, em defesa da democracia e contra o impeachment de Dilma, um ato unitário está sendo convocado pelas Frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo para o próximo dia 16 em todas as capitais.

O povo brasileiro vai continuar fazendo sua parte para que a democracia seja respeitada, gritando com todas as letras que não vai ter golpe. É Eduardo Cunha quem tem que sair. E está na hora da presidenta Dilma ficar mais esperta, porque só o povo é capaz de tirá-la desta encruzilhada. É a vez de retomar o programa eleito em 2014, continuar as mudanças que favoreçam o povo e apontar para mudanças sérias e estruturais que o sistema político brasileiro necessita.